HISTÓRIA DO CASTELO DE PRAGA
Castelo de Praga: Mil anos de história
O Castelo de Praga é um dos maiores e mais antigos castelos do mundo, cobrindo mais de 70.000 metros quadrados. Localizado numa colina acima do rio Vltava, tem sido uma parte fundamental da história checa há mais de 1.000 anos. Fundado em 870 d.C. pelo príncipe Bořivoj da dinastia Přemyslid, albergou reis checos, imperadores romanos e, atualmente, o presidente checo. Ao longo dos séculos, o castelo expandiu-se para um vasto complexo de palácios, igrejas, torres e jardins. No interior, encontrará alguns dos seus marcos mais importantes, incluindo o Antigo Palácio Real com o Salão Vladislav. Foi outrora utilizado para coroações e eventos reais. O complexo do castelo também inclui a Golden Lane, uma encantadora rua de casas coloridas que outrora albergou os guardas do castelo e os ourives.
O Castelo de Praga foi testemunha de importantes acontecimentos históricos, incluindo a Defenestração de Praga em 1618, que ajudou a desencadear a Guerra dos Trinta Anos. Foi ocupado pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial e mais tarde utilizado pelo governo comunista. Atualmente, o Castelo de Praga é Património Mundial da UNESCO, oferecendo uma história rica, uma arquitetura deslumbrante e vistas panorâmicas de Praga.
De reis a presidentes: A viagem no tempo do Castelo de Praga
A visão de Bořivoj: A fundação do icónico castelo de Praga
O Castelo de Praga foi fundado no século IX, por volta de 880 d.C., pelo Príncipe Bořivoj I da dinastia Přemyslid. Ele construiu a primeira fortaleza de madeira e a Igreja da Virgem Maria, estabelecendo o castelo como o centro do primitivo domínio checo. Com o tempo, os edifícios de pedra substituíram as estruturas de madeira, transformando o castelo numa poderosa fortaleza. Vários edifícios importantes foram acrescentados nos séculos X e XI, moldando o desenvolvimento do castelo. A Basílica de S. Jorge, construída em 920 d.C., tornou-se uma das mais antigas igrejas que restam em Praga e foi mais tarde ampliada em estilo românico. Na década de 930, o príncipe Venceslau construiu a Rotunda de São Vito, que mais tarde foi ampliada para uma basílica e, por fim, para a Catedral de São Vito. No século XII, o Antigo Palácio Real foi construído como um palácio de pedra românico e mais tarde transformado numa residência gótica e renascentista para os governantes da Boémia. Estas estruturas iniciais lançaram as bases para a evolução do Castelo de Praga para o centro político, religioso e cultural da Boémia.
Queda da dinastia Přemyslid
A dinastia Přemyslid governou a Boémia durante mais de 400 anos, antes de terminar com o assassinato do rei Venceslau III em Olomouc, em 1306. Sem um herdeiro masculino, o reino entrou em crise, levando a lutas pelo poder. O Castelo de Praga passou por mudanças de controlo e influência, reflectindo a instabilidade política mais geral na região.
A Catedral de São Vito e a Idade de Ouro de Praga
Em 1344, sob o reinado do rei Carlos IV, teve início a transformação gótica da Catedral de São Vito, marcando uma nova era para Praga. As origens da catedral remontam ao século X, quando o príncipe Venceslau I construiu uma rotunda dedicada a São Vito, que mais tarde foi ampliada numa basílica românica pelo príncipe Spytihněv II no século XI. Ao longo dos séculos, a Catedral de São Vito tornou-se o local das coroações reais checas e o local de descanso final de santos padroeiros e governantes. Um dos momentos mais significativos da história checa foi a coroação de Carlos IV como rei da Boémia, em 1347. Governante visionário, Carlos IV fez de Praga o centro da cultura e da política na Europa Central, construindo projectos monumentais como a Catedral de São Vito, a Ponte Carlos e a Universidade Carlos.
Esta época, conhecida como a Idade de Ouro de Praga (1346-1378), transformou a cidade numa potência europeia. A expansão gótica da Catedral de São Vito simbolizou a ascensão de Praga, mas a prosperidade da cidade declinou no início do século XV com a eclosão das Guerras Hussitas.
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A Rebelião Hussita: A Defenestração e o Cerco de Praga
Em 1419, as tensões crescentes entre os hussitas e as autoridades católicas culminaram quando hussitas radicais atiraram funcionários católicos pela janela da Câmara Municipal da Cidade Nova. Este acontecimento, conhecido como a Primeira Defenestração de Praga, desencadeou as Guerras Hussitas, uma série de conflitos religiosos brutais. Em 1420, as forças hussitas tomaram o Castelo de Praga, transformando-o numa fortaleza contra os exércitos católicos. O castelo resistiu a múltiplos cercos ao longo dos anos, com os hussitas a defenderem ferozmente a sua posição. No entanto, após uma longa luta, foram derrotados em 1434, o que marcou o fim do seu controlo sobre Praga.
A construção do Salão de Vladislav
O impressionante Salão de Vladislav, no interior do Antigo Palácio Real, projetado pelo arquiteto Benedikt Rejt e construído entre 1490 e 1502 durante o reinado de Vladislav II, é um dos maiores salões medievais da Europa. Este grande salão era utilizado para banquetes reais, torneios de justas e até mesmo para as primeiras formas de reuniões parlamentares. O seu estilo arquitetónico gótico e o enorme teto com nervuras constituíram uma grande conquista arquitetónica da época.
O incêndio que devastou o castelo
Um incêndio de grandes proporções, em 1541, destruiu grande parte do Castelo de Praga, incluindo muitas estruturas antigas de madeira e arquivos de valor inestimável. O desastre obrigou a renovações de grande envergadura, e os governantes da dinastia dos Habsburgos aproveitaram a oportunidade para reconstruir o castelo no estilo renascentista, acrescentando novos palácios e jardins.
Rua Dourada: a rua histórica do Castelo de Praga
A Rua Dourada foi construída após o grande incêndio de 1541, que destruiu grande parte do Castelo de Praga, incluindo muitas estruturas de madeira. Na sequência do incêndio, foram erguidos novos edifícios e, no final do século XVI, a Rua Dourada foi criada ao longo da muralha norte do castelo para albergar os guardas do castelo. Os primeiros residentes foram criados e guardas, mas, com o passar do tempo, a rua passou a acolher artesãos e ourives. Um dos seus residentes mais famosos foi Franz Kafka, que viveu na Casa n.º 22, uma pequena casa azul, durante um curto período entre 1916 e 1917. A casa, que pertencia à sua irmã Ottla, é hoje uma atração turística popular, onde se expõem livros e recordações relacionadas com a vida e a obra de Kafka. Atualmente, as casas coloridas da Golden Lane preservam o encanto medieval de Praga, tornando-a um dos locais mais visitados do castelo.
O Castelo de Praga na Guerra dos Trinta Anos
Em 1618, as tensões entre protestantes e católicos na Boémia eclodiram quando nobres protestantes atiraram dois funcionários católicos pela janela do Castelo de Praga. Este acontecimento, conhecido como a Segunda Defeneestração de Praga, desencadeou a Guerra dos Trinta Anos, um conflito brutal que se espalhou por toda a Europa.
Após a derrota dos protestantes na Batalha da Montanha Branca (1620), os Habsburgos católicos, vitoriosos, esmagaram a resistência checa. Em 1621, para consolidar o seu domínio, 27 nobres checos foram executados publicamente na Praça da Cidade Velha, marcando o fim da influência protestante e confirmando o controlo dos Habsburgos sobre Praga e o seu castelo. Em 1648, durante as fases finais da guerra, as forças suecas saquearam partes do castelo, incluindo tesouros da Catedral de São Vito.
O domínio dos Habsburgos e as transformações barrocas
Durante o domínio dos Habsburgos, o Castelo de Praga foi transformado num grandioso palácio barroco. Sob o reinado do Imperador Rodolfo II (1576–1612), o Castelo de Praga sofreu uma transformação significativa, uma vez que ele o transformou na sua residência imperial. Durante este período, o Salão Espanhol foi construído no Novo Palácio Real para exibir a extensa coleção de obras de arte preciosas de Rodolfo. Concebido no estilo barroco inicial, tornou-se um dos maiores e mais magníficos salões cerimoniais do castelo, caracterizando-se por tetos altos, lustres deslumbrantes e decorações sumptuosas.
No século XVI, Fernando I encomendou a construção do Palácio de Verão da Rainha Ana no Jardim Real, como um refúgio de lazer para a sua esposa, a Rainha Ana Jagiellonica. Este palácio de estilo renascentista, também conhecido como Belvedere, continua a ser um dos marcos arquitetónicos mais elegantes do complexo do Castelo de Praga.
Mais tarde, durante o século XVIII, a Imperatriz Maria Teresa supervisionou grandes obras de renovação do Castelo de Praga, realçando ainda mais o seu estilo barroco. Sob o seu reinado, o castelo passou de uma fortaleza a uma grandiosa residência real.
O Castelo torna-se a sede presidencial
Após a Primeira Guerra Mundial, o Castelo de Praga tornou-se a sede oficial da recém-independente Checoslováquia, em 1918. Tomáš Masaryk, o primeiro presidente, mudou-se para o castelo, transformando-o no centro da vida política checa.
Sob a sua liderança, o castelo foi alvo de obras de renovação com o objetivo de o modernizar, preservando simultaneamente o seu significado histórico.
O Castelo de Praga sob o domínio nazi
Em março de 1939, a Alemanha nazi ocupou a Checoslováquia, estabelecendo o Protetorado da Boémia e da Morávia. Durante este período, Adolf Hitler visitou pessoalmente o Castelo de Praga. O castelo serviu de quartel-general para a administração nazi, tendo Reinhard Heydrich sido nomeado Protetor do Reich interino. O assassinato de Heydrich pela resistência checa, em 1942, constituiu um ato significativo de desafio durante a ocupação. O Castelo permaneceu sob domínio alemão até ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
A era comunista e a Revolução de Veludo
Durante a era comunista (1948–1989), o Castelo de Praga serviu de sede do governo checoslovaco. Embora tenha mantido as suas funções governamentais, não houve acréscimos arquitetónicos significativos durante este período. No entanto, foram envidados esforços para preservar a sua integridade histórica através de obras de restauro. A Revolução de Veludo de 1989 marcou um momento importante para o Castelo de Praga. Na sequência dos protestos pacíficos que puseram fim ao regime comunista, Václav Havel foi eleito o primeiro presidente pós-comunista da Checoslováquia. A sua tomada de posse no Salão de Vladislav simbolizou uma nova era na história da nação. Desde então, o Castelo de Praga tem vindo a ser alvo de reparações e reconstruções significativas e contínuas, com vista a restaurar e preservar o seu património histórico e arquitetónico.
O Castelo de Praga hoje
Atualmente, o Castelo de Praga é a residência oficial e o local de trabalho do presidente checo, simbolizando a história e a resiliência da nação. O Gabinete do Presidente da República gere a administração do castelo, garantindo a sua preservação e o funcionamento diário. O Guinness World Records reconhece o Castelo de Praga como o maior castelo antigo do mundo. Com aproximadamente 70 000 metros quadrados e cerca de 570 metros de comprimento, este complexo histórico é o destino mais visitado da República Checa, atraindo milhões de visitantes todos os anos.
Mistérios e lendas do Castelo de Praga
O Castelo de Praga é rodeado de inúmeras lendas que aumentam o seu mistério. Estas lendas misturam o folclore com a rica história do castelo.
A profecia da princesa Libuše
Uma das lendas relacionadas com a fundação de Praga conta a história da princesa Libuše, uma ancestral lendária da dinastia dos Přemyslidas. Dotada de visão profética, ela ergueu-se no topo de um penhasco com vista para o rio Moldava e predisse o surgimento de uma grande cidade, declarando: «Vejo uma grande cidade cuja glória alcançará as estrelas.» Na sequência da sua visão, instruiu o seu povo a construir um castelo naquele local, lançando assim as bases para a fundação de Praga.
A maldição mortal das joias da coroa checa
A Coroa de São Venceslau, parte das joias da coroa da Boémia guardadas no Castelo de Praga, está rodeada de lendas. Segundo a tradição, as joias da coroa checa guardadas na Catedral de São Vito trazem a morte a quem as usar sem ter o direito de governar. Em 1941, diz-se que Reinhard Heydrich, o governador nazi da Boémia e da Morávia, colocou a coroa na cabeça. Apenas alguns meses depois, foi assassinado por combatentes da resistência checa numa das missões mais ousadas da Segunda Guerra Mundial, alimentando a lenda da maldição mortal das joias da coroa.
Lendas de alquimia do Castelo de Praga: realidade ou ficção?
Durante o reinado do Imperador Rodolfo II (1576–1612), o Castelo de Praga foi um centro de ciência, alquimia e misticismo. O Imperador, fascinado pela alquimia, convidou Edward Kelley e outros alquimistas para a sua corte, a fim de realizarem várias experiências sob o seu patrocínio. Embora os registos históricos não confirmem que o seu trabalho se centrasse especificamente na transformação de metais em ouro ou na criação do elixir da vida, tais lendas têm persistido ao longo do tempo. Algumas histórias sugerem também que a Rua Dourada albergava laboratórios alquímicos secretos.
Os túneis secretos sob o castelo
Acredita-se que exista uma rede de túneis secretos sob o Castelo de Praga, ligando vários edifícios e conduzindo a rotas de fuga ocultas. Embora algumas passagens tenham sido descobertas, muitas permanecem envoltas em mistério, inspirando histórias de tesouros escondidos e caminhos esquecidos. Diz-se que um dos túneis conduz ao rio Moldava, enquanto outro teria sido utilizado pelos alquimistas para contrabandear ouro. Embora alguns túneis tenham sido descobertos, muitos continuam a ser um mistério, inspirando lendas de tesouros escondidos e passagens esquecidas.
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